A FAMÍLIA DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS: A RELAÇÃO

PAI-FILHO

Maria Cristina MARQUEZINE[1]

 

GLAT, R.; DUQUE, M. A. T. Convivendo com filhos especiais: o olhar paterno (Série Questões Atuais em Educação Especial, v.5). Rio de Janeiro: 7Letras/Viveiro de Castro Editora, 2003.

 

 

Nos últimos 10 anos, temos acompanhado o aumento de publicações sobre questões vinculadas a famílias de pessoas com necessidades especiais, mas, com freqüência, estes trabalhos trazem informações referentes ao discurso materno ou, no máximo, ao discurso de irmãos.

Foi com grata surpresa que deslumbrei o título da obra em prateleira de livraria na Jornada de Educação Especial, na UNESP-Campus de Marília, em meados do mês de junho, deste ano. Comprei e só depois vi que a profª Rosana Glat havia sido a orientadora do trabalho de mestrado da Maria Auxiliadora T. Duque. Fiquei muito satisfeita quando identifiquei o nome dos autores, pois Rosana Glat é uma pesquisadora que nos assegura bons momentos de leitura e reflexão profícua, portanto esperávamos que Maria Auxiliadora acompanhasse a verve da Mestra. Esta publicação não fugiu à regra, pois me fechei com o livro no quarto do hotel e só voltei a conversar com as minhas companheiras de quarto, colegas da UEL, quando a leitura acabou.

A obra tem as mesmas características das outras que compõem a série “Questões Atuais em Educação Especial”, ou seja; todos têm em média 120 páginas, se apresentam com um texto enxuto, de leitura simples e sem redundâncias. O livro é de leitura agradável e quando nos damos pelas coisas ao nosso redor, percebemos que fomos envolvidos pelos questionamentos inerentes à exposição do tema durante algumas horas.

Fiquei entretida durante os sete capítulos, pois no primeiro foi realizada uma interessante revisão da literatura publicada sobre o tema. O segundo capítulo trouxe a descrição minuciosa do método da pesquisa. O terceiro capítulo analisou as práticas do cotidiano tomando como ponto de partida a díade pai-filho. O quarto capítulo demonstra a ênfase do pai nas “coisas que ele consegue fazer bem!” (p. 51). O quinto capítulo põe em discussão a busca pelo pai pela escola que vai desenvolver a escolarização do filho especial. O sexto capítulo sinaliza a preocupação paterna frente à promoção da independência do filho.

O último capítulo trata do fechamento do trabalho de pesquisa. Nesta última parte da obra eu esperava que as autoras enfatizassem mais as diferenças entre as falas dos pais e a posição das mães que é mostrada pela literatura. As falas de participantes que foram apresentadas no texto deixam claro algumas dessas diferenças, portanto quando me dispus a redigir a resenha descobri que uma grande parte do prazer da leitura do texto adveio da associação que nós, os leitores, podemos fazer entre as diferenças da postura masculina e feminina frente à relação com o filho especial.


[1] 1 Departamento de Educação, Centro de Educação, Comunicação e Artes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) – crisedes@uel.br.

 

Fim do Texto

 

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