ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS NA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA:CONTRIBUIÇÕES PARA EDUCAÇÃO ESPECIAL

Débora DELIBERATO[1]

 

NUNES, L R. O. P. (Org.) Favorecendo o desenvolvimento da comunicação em crianças e jovens com necessidades educacionais especiais. Rio de Janeiro: Dunya, 2004.

 

Os modelos teórico-práticos a respeito de processos mentais envolvidos na aquisição e desenvolvimento da linguagem são importantes para a compreensão da constituição do conhecimento humano. A linguagem permeia as diversas funções mentais superiores e permite ao ser humano diferentes modalidades de comunicação que favorecem e possibilitam a aquisição do conhecimento. A linguagem oral, a fala, é uma das modalidades adquirida e desenvolvida nas interações sociais por meio de um código comum estabelecido pelo grupo social para a concretização das trocas comunicativas.

Essas trocas comunicativas poderão garantir e ampliar novas aquisições e as aprendizagens em diferentes ambientes de convívio social, familiar e escolar.

A área da comunicação alternativa vem adquirindo seu espaço e sua importância na Educação Especial e áreas afins. Tem como preocupação buscar recursos e estratégias científicas para proporcionar aos indivíduos impossibilitados de estabelecerem trocas comunicativas em diferentes meios funcionais a garantia de vivenciar, apreender, compreender, criar, elaborar, descrever e fazer uso de suas possibilidades de linguagem para poder exercer, nos diferentes meios comunicativos, a sua voz, a sua vez nas trocas de turnos.

O livro Favorecendo o desenvolvimento da comunicação em crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, organizado pela Profª Dra Leila Regina d’ Oliveira de Paula Nunes chega em um momento importante e decisivo para a consolidação da área de comunicação alternativa em nosso país. Importante e decisivo porque os diferentes capítulos apresentados e discutidos trazem contribuições teóricas e procedimentos metodológicos que garantem a reflexão e a decisão de adequações do uso de recursos e estratégias de comunicação para que os indivíduos, impossibilitados de oralidade, possam se beneficiar em diferentes ambientes funcionais, com a garantia de inclusão, não só no ensino regular, mas uma garantia de melhor qualidade de vida.

Os três primeiros capítulos da obra discutem e nos possibilitam mergulhar nos referenciais teóricos a respeito de definições, teorias a respeito da linguagem e suas relações com a comunicação alternativa, padrões lingüísticos envolvidos nos diferentes sistemas de comunicação apresentados, características dos sistemas de comunicação alternativa e suas possibilidades de uso frente a uma diversidade de usuários que poderiam ser beneficiados com os sistemas, quer sejam na recepção, elaboração e na emissão de seus atributos da linguagem.

Os capítulos 4 e 5 estão preocupados em caracterizar a população de alunos usuários de sistemas de comunicação alternativa e identificar a percepção de profissionais envolvidos, no processo de seleção, implementação e utilização funcional de recursos comunicativos selecionados. Nestes capítulos, a preocupação com a capacitação de professores no contexto da comunicação alternativa se faz presente.

Os capítulos 6, 7 e 8 apresentam e discutem procedimentos científicos que viabilizam o uso de recursos de comunicação alternativa em diferentes situações naturais, como no caso de situações familiares. Neste contexto, são apresentados estudos de casos de indivíduos com necessidades específicas, como, por exemplo: a deficiência múltipla; déficit cognitivo e, por último, com uma criança com autismo infantil.

Nos capítulos 9, 10 e 11, encontramos discussões a respeito da importância do uso de sistemas de comunicação na ampliação de possibilidades lingüísticas por parte de seus usuários quer do ponto de vista semântico, sintático e pragmático, como no caso do uso de procedimentos com narrativa. Neste caso, os cuidados com os registros de informações são importantes, para que possamos contribuir para novas aquisições e usos lingüísticos dos sistemas e suas relações com a aquisição e ampliação da leitura e escrita.

Por fim, os últimos três capítulos discutem importantes aspectos a respeito de avaliação, seleção de sistemas e suas adequações inerentes a cada indivíduo para o acesso ao uso funcional dos diferentes recursos e estratégias de comunicação que podemos estar selecionando e utilizando em cada ambiente natural.

A preocupação dos diferentes autores aqui envolvidos com a área de comunicação alternativa é possibilitar a seleção, adequação e o uso de diferentes sistemas de comunicação em uma diversidade de ambientes funcionais para garantir a aquisição e desenvolvimento das funções da linguagem nas trocas comunicativas e, com isto, favorecer novos conhecimentos e propiciar o processo de inclusão social e escolar de uma população de indivíduos que não pode utilizar a fala ou a usa de modo parcial nos processos de interação.


[1] Docente do Departamento de Educação Especial e do Programa de Pós-graduação em Educação, Unesp, Marília. e-mail: delibera@marilia.unesp.br

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