DEFICIÊNCIA MENTAL, IMAGINAÇÃO E MEDIAÇÃO SOCIAL: UM ESTUDO SOBRE O BRINCAR

MENTAL DEFICIENCY, IMAGINATION AND SOCIAL MEDIATION: A STUDY OF PLAY BEHAVIOR

Gláucia Uliana PINTO[1]

 Maria Cecília Rafael de GÓES[2]

RESUMO: neste trabalho abordamos a importância da imaginação para o desenvolvimento e focalizamos o brincar como uma instância particularmente propícia a esse processo. O papel formativo atribuído a essa atividade é geralmente pequeno, e tende a ser tratada de maneira muito ambígua no trabalho educacional. Esse problema se intensifica quando a deficiência mental está envolvida, devido ao descrédito adicional em relação às possibilidades da criança. Com base na perspectiva histórico-cultural, realizamos um estudo sobre o brincar de doze sujeitos, na faixa etária de 4 a 6 anos, que freqüentavam uma instituição especial. A maioria deles tinha déficits nas áreas de cognição e linguagem; alguns enfrentavam também sérias limitações motoras. O objetivo foi investigar relações entre a mediação de outros – adultos e parceiros – e as ações imaginativas da criança, em termos da capacidade de transcender o campo perceptual imediato e compor seqüências de faz-de-conta. O trabalho de campo consistiu de sessões semanais de brincadeira livre, durante um período de sete meses. As atividades foram gravadas em vídeo, e as análises se guiaram por uma abordagem microgenética. Os achados mostram que, quando deixadas com seus próprios recursos, essas crianças apresentam uma baixa disposição a entrar em brincadeiras coletivas e a compartilhar de diálogos. No entanto, dependendo das formas de mediação dentro do grupo, elas podem engajar-se em situações imaginárias relativamente complexas, com características que sugerem contribuições para o desenvolvimento intelectual, na compreensão do contexto cultural, bem como para a emergência de elaborações criativas sobre o mundo. 

 

PALAVRAS-CHAVE: deficiência mental; imaginário infantil; mediação sóciocultural.


[1] Mestre em Educação. E-mail - glauciauliana@yahoo.com.br

[2] Doutora em Psicologia, Docente do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Metodista de Piracicaba.  E-mail – mcrgoes@unimep.br

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